Medicina Anti-Envelhecimento – o que é?

By: | Tags: | Comments: 0 | Julho 13th, 2016

Não é de facto um nome bem conseguido, dado que “antienvelhecimento” pode parecer “não chegar a velho”, o que então quer dizer morrer novo! Daí que muitos lhe chamam medicina integrativa, regenerativa, funcional etc, e outros, tão só apenas por causa do nome, “são contra”, não sabendo bem para o que são contra, mas apenas talvez por um qualquer desequilíbrio hormonal, o “ser contra” faça parte do seu dia-a dia.

No entanto não será difícil compreender que o termo se refere a um “envelhecimento saudável”, com mais energia e vitalidade, mais saúde e menos doença.

A medicina anti envelhecimento é uma medicina preventiva que tem como objetivo proporcionar-nos uma melhor qualidade de vida, atrasando sinais e sintomas relacionados com o envelhecimento. Não é o elixir da juventude, nem tem por objetivo acrescentar mais anos de vida.

O que a medicina faz atualmente muitas vezes, é prolongar a vida do utente à conta de prolongar a doença. Há que pensar-se “antes”, prevenindo e retardando o aparecimento das chamadas doenças degenerativas, e isto hoje consegue-se sim, através de um equilíbrio do nosso corpo trabalhando os cinco pilares em que assenta a Medicina Antienvelhecimento: Nutricão, Exercício físico, Suplementação Alimentar, Modulação Hormonal, fundamental e de facto aquela sobre a qual eu me dedico mais, e a manutenção de Hábitos e Estilos de Vida Saudáveis. É da sinergia destes elementos que podemos aumentar a nossa vitalidade, retardar o nosso envelhecimento e estender eventualmente a nossa longevidade.

Faria mais sentido investir em prevenir a doença desde cedo, para que os anos vindouros sejam produtivos e vigorosos. Não devíamos querer um dia ser, um peso à sociedade nem à família!

Não morremos por termos IDADE. Morremos por causa das doenças degenerativas associadas à idade: Cancro, Acidentes Vasculares Cerebrais, Doenças cardiovasculares, Diabetes, Hipertensão, Doença Pulmonar Crónica Obstrutiva, Osteoporose. Estas 7 causas representam 70 % das causas médicas de morte em quase todo o Mundo dito “civilizado”.

E se formos a pensar bem, em todas estas patologias, a obesidade por exemplo participa na génese de quase todas elas. E a obesidade, tal como o tabaco, o álcool, os níveis altos de glucose as dietas ricas em gordura trans ou baixas em ácidos gordos polinsaturados, omega3 frutas e vegetais, tal como a inactividade física, todos estes factores podiam ser modelados trabalhando os cinco pilares da Medicina Antienvelhecimento.

A Medicina Antienvelhecimento, até há pouco tempo tida como uma “fantasia”, uma especialidade “não científica” e pouco credível, é hoje uma realidade bem definida e cientificamente comprovada. O interesse no antienvelhecimento hoje em dia estende-se a toda a população e é bom que os médicos estejam na vanguarda deste conhecimento para não serem ultrapassados caindo na estagnação e obsoletismo. Hoje o utente está bem informado, sabe o que quer, procura e discute connosco o seu diagnóstico. A medicina mudou, a forma de olharmos para ela tem de mudar! Não podemos “fechar os olhos” à realidade e fazer ou não fazer porque o “livro de texto diz”! São décadas até que muito do conhecimento atual se expresse nos livros de texto de Medicina! Não podemos “enterrar a cabeça na areia” quando a cada dia, temos a evolução do conhecimento a um nível difícil de acompanhar para quem estuda muito e diariamente. Quanto mais para aqueles que por força das circunstâncias não o fazem!

Harvard, uma faculdade conceituada nos EUA tem um departamento de Medicina Antienvelhecimento, dedicado à investigação. Em 2009, Elizabeth H. Blackburn, Jack W. Szostak e Carol W. Greider foram galardoados com o Prémio Nobel de Fisiologia e Medicina na sequência dos seus trabalhos a nível dos telómeros, telomerase e antienvelhecimento.

Nós envelhecemos por diversos mecanismos, entre os quais o stress oxidativo, o encurtamento dos telómeros e a queda hormonal que se verifica com a idade. Estes 3 cientistas descobriram o mecanismo utilizado pelas células para impedir o encurtamento dos cromossomas através da enzima telomerase.

Enfim a ciência avançou e a medicina não mudou e tem de mudar. O próprio conceito de saúde que era definido pela OMS como “ausência de doença” há anos que mudou, sendo que atualmente a OMS define saúde como “ESTADO DE COMPLETO BEM ESTAR FISICO MENTAL E SOCIAL E NÃO SOMENTE AUSENCIA DE AFECÇÕES E DEFORMIDADES”.

Para a Medicina Antienvelhecimento saúde é muito mais do que não estarmos doentes! É estar em sintonia com a vida, sentindo entusiasmo, alegria, energia e paixão pela vida! É estarmos felizes e isso só conseguimos mantendo uma mente são num corpo são, tal como já diziam os gregos na antiguidade.

O Grupo de Estudos de Medicina Antienvelhecimento (GEMAE), organiza o  I Simpósio Português de Medicina Antienvelhecimento em Novembro e conta com o patrocínio científico da Ordem dos Médicos.

Mais informações em EVENTOS.

Ivone Mirpuri