O que são Hormonas Bioidenticas?

By: | Tags: | Comments: 0 | Setembro 10th, 2016

São hormonas estruturalmente iguais às nossas

Isto tem muitas vantagens, uma vez que os receptores onde elas actuam estão-lhes totalmente adaptados, reconhecendo-as como se tratassem das nossas próprias hormonas; para além disso, o fígado não as reconhece como estranhas, estando preparado para as metabolizar, o que impede a sua acumulação neste órgão.

As hormonas não bioidênticas, sendo química e estruturalmente diferentes das nossas, podem acumular-se no fígado, que não está enzimaticamente preparado para as metabolizar, havendo mesmo a possibilidade destas se transformarem em metabolitos nocivos para o nosso organismo.

Além disto, a sua diferença estrutural não permite o correcto “encaixe” com os receptores hormonais, promovendo, por isso, uma acção não totalmente semelhante àquelas que são bioidênticas e que mimetizam exactamente as produzidas pelo nosso corpo.

Erro frequente do pensamento é que “hormona bioidentica” é manipulada e “natural” e “hormona não bioidentica” é “sintética” e em comprimidos. Nada mais errado. Temos hormonas não bioidenticas “naturais”, como o “estrogénio equino conjugado” (EEC), utilizado no estudo WHI por exemplo (aquele que revelou o aumento do cancro da mama com a utilização hormonal) e temos hormonas bioidenticas “sintéticas”, efectuadas em laboratórios de reconhecida qualidade mundial, sendo estas que vulgarmente utilizamos. Não precisamos de usar manipulados, embora pessoalmente nada tenha contra manipulados embora não os use por hábito.

Outro erro frequente de pensamento é que “hormona bioidêntica” é “coisa nova” e por isso não estudada convenientemente! As HBI existem antes das HNBI, algumas há 100 anos como a tiróide dissecada de porco, algumas há mais de 30 anos como as hormonas sexuais e algumas há cerca de 20 anos como a HGH. Recentemente outras menos utilizadas.

Mas existe uma lei que diz que “hormona que existe na natureza” não pode ser patenteada. Daí que se começaram a acoplar “radicais” que alteraram a função das hormonas bioidenticas e assim puderam ser registadas pelas marcas comerciais. Se em algumas situações melhorámos a acção relativamente a alguns factores, indiscutivelmente acrescemos “riscos” à sua utilização dado não serem exactamente iguais às nossas.

Todas as Mulheres e Homens devem fazer a Terapêutica de Compensação Hormonal?

Embora as hormonas bioidênticas, quer manipuladas, quer de venda pela indústria farmacêutica (em farmácia comum), tenham menos acções acessórias e representem menos perigos para a nossa saúde, é imperativo individualizar a prescrição, adaptando-a a cada mulher/homem e fazendo-a, também, depender da idade, da condição física, sintomatologia, observação dos exames analíticos e outros de imagem.

Previamente também são realizados exames clínicos, de imagem e analíticos, que nos asseguram um “aparente” bom estado de saúde física e mental.

O facto de se tratarem de Hormonas Bioidênticas significa que são manipuladas e Transdérmicas, ou seja, de Aplicação Percutânea?

Não, podem ser ou não manipuladas.

A dosagem hormonal é individual e determinada pelo alívio da sintomatologia e avaliação dos exames analíticos. É necessário, por isso, um profundo conhecimento dos sintomas da deficiência hormonal, especificamente dos estrogénios, progesterona e testosterona e outras, quer na mulher, quer no homem.

Cada situação concreta deve ser devidamente ponderada e analisada, sendo que se deverão utilizar, sempre que possível, e pelas vantagens de que já demos conta, as hormonas bioidênticas.

No entanto, cada caso é único e não podemos, nem devemos, fazer generalizações que nos precipitem para decisões erradas.

Outro ponto de extrema importância, tem que ver com as interferências hormonais, ou seja, de que forma cada hormona específica interage com todas as outras e as desestabiliza ou não.

As hormonas são como uma sinfonia harmoniosa, onde cada nota tem o seu lugar e actuação própria, bastará uma pequena alteração para desarmonizar o todo. É muito importante ter isto em conta, bem como a suplementação, que pode coadjuvar, decisivamente, no alcance do equilíbrio hormonal.

Hormonas e Cancro, que relação quando falamos de Hormonas Bioidênticas?

Os estudos realizados que revelam um pequeno aumento da incidência de cancro com a utilização de estrogénios, não foram realizados com hormonas bioidênticas. A associação dos estrogénios com progestinas (não bioidenticas) triplica este risco e sobretudo o risco cardiovascular e tromboembólico.

Os estudos com hormonas bioidenticas não revelam aumento da incidência de tumores, devendo pois serem estas hormonas as preferencialmente utilizadas.
Também o desequilíbrio entre as hormonas pode estar na origem do cancro. Não as hormonas em si, que ao estabilizarem o nosso humor, diminuindo o nosso stress, podem ter, até, um efeito protector.

Costumo dizer que as hormonas não fazem mal. Nós é que às vezes as metabolizamos mal, ao não termos hábitos e estilo de vida saudáveis!
Já basta um qualquer factor genético que potencialmente exista, já basta “tanto” que a ciência ainda desconhece, que há que trabalhar bem tudo o que nos é dado a conhecer actualmente como benéfico.

Entre os maus hábitos diários para as nossas hormonas temos o café, tabaco e álcool.
São péssimos a nível hormonal, tanto no homem como na mulher, pois degradam mal as nossas hormonas.

Relativamente ao estradiol favorecem a metabolização em 16-OH Estrona em vez de 2-OH Estrona, e os estudos revelam que mais 16-OH estrona do que 02-OH Estrona leva a mais frequência de cancro da mama no futuro.

No homem favorecem a transformação da testosterona em estradiol e este quando aumentado é um factor de risco cardiovascular e de doença prostática importante. Pode não haver mais enfarte de miocárdio com coletreol mais elevado, mas há sem dúvida mais enfarte do miocárdio nos homens com estradiol aumentado.

Que patologias mais frequentes podem ser tratadas com Hormonas Bioidênticas?

O nosso equilíbrio e bem-estar assentam em cinco pilares básicos: alimentação correcta, exercício físico, suplementação alimentar, hábitos de vida saudáveis e equilíbrio ou modulação hormonal.

É nestes cinco pilares que assenta a “medicina anti-envelhecimento”.

O equilíbrio hormonal previne o aparecimento de inúmeras doenças, sobretudo do foro degenerativo, e trata, frequentemente, sinais e sintomas relacionados com:

  • Menopausa
  • Andropausa
  • Fibromialgia;
  • Fadiga adrenal (burn-out)
  • Resistência a perda de peso
  • Depressão, ansiedade, falta de memória
  • … entre outras

Ivone Mirpuri